Peões de guerra capítulo 2

 

Capítulo 2: Acordar


“...”

“Ai.”

“Ai.”

“Que droga, eu desmaie...”

— Bom dia! bela adormecida!



“Se fuder... Não é possível isso, ele ainda está aqui.”

— Você ficou me olhando esse tempo todo? “Puta merda...”

— Sim, você fica uma gracinha dormindo!

“Esse porra me fala isso sorrindo, eu vou muito bater nele.”

— Se você não parar de me encarar, você vai muito apanhar aqui.

“Eu tô muito cansado...”

— Eu duvido muito que você vai conseguir fazer isso.

— Você mal conseguiu terminar as flexões...

— Na flexão 400, você já estava morrendo.

— Na verdade eu nem sei como você não vomitou o chão todo antes de desmaiar.

— Ia ser muito mais engraçado se você tivesse vomitado e desmaiado em cima.

—Foi muito engraçado, mas poderia ser melhor!

“Ele vai ficar zombando pelo resto do dia, que merda.”

“Eu tô muito dolorido.”

“Eu nem sei se vou conseguir levantar.”

“Ai.”

“Acho que não vou conseguir.”

“Ai.”

“Não vou mesmo.”

— O princesa... 

“O que esse cara quer?”

— Quer uma ajuda para levantar? 

— Você tá brincando né? “Apesar que uma ajuda ia bem agora.”

— Só quero te ajudar, não precisa se preocupar.

—Por quê? “Eu realmente quero saber.”

—Eu e você somos iguais... 

—Depois de amanhã provavelmente estaremos mortos...

— Então é bom lembrar que estamos vivos ainda.

“Desgraçado... pior que ele está certo.”

— Beleza, aceito a ajuda. “Tô precisando mesmo.”

— Me dá sua mão.

— Ai! “Puta merda.”

—Vai com calma ai, meus braços estão doendo muito. “Tá doendo muito!”

— Para de reclamar princesa, eu tô tentando te ajudar.

— Aliás qual seu nome?

— Gabriel... “Ele não é tão ruim...”

— Prazer em te conhecer Gabriel, meu nome é Douglas, mas pode me chamar de Doug.

— Vamos andando, você é pesado pra caramba.

 —Valeu Doug.

—Valeu mesmo.

— Não precisa agradecer.

—Me deixa ali no banco Doug!

“Que bom, um banco pra descansar.”

—Tá entregue.

— Eu vou no campo, dar uma volta.

— Depois nós conversamos.

—Valeu cara.

“Realmente ele não é tão ruim.”

“Quando ele voltar eu pergunto um negócio para ele.”

— Ai.

“Essa base é estranha, ela fica muito próxima da narco fronteira, ela está muito aberta para uma ataque surpresa de narco anarquistas, e na moral eu não quero ter meus membros cortados para eles usarem no preparo de sangue em pó, ou algo pior, como servir de moeda de troca para a tribo do pedágio.”

“Eu sinceramente não entendo essa estratégia de ataque do Estado Militar, nós estamos fazendo isso em vão, e a gente com certeza vai morrer aqui.”

Um vento suave vem do noroeste, com um leve cheiro de flores.

— Que Vento gostoso.

— ...

A brisa toca o seu rosto.

— ...

— Como vai ser daqui pra frente...

— ...

— Eu acho que não tô preparado...

— ...

— ...

— Aquela nuvem tem um formato estranho..

— É um cachorro...

— Só que com o pescoço longo.

— ...

— Aquela parece uma tartaruga.

— ...

— Ela tá se desfazendo em pedaços menores...

— ...

— e aquela...

— ...

— Tô com sono...

— ...

— Acho que vou dormir um pouquinho....

— Até essa dor passar...

— ...

— só um pouquinho...

— ...